Espaço Aberto

RESERVAMOS ESTE ESPAÇO PARA VOCÊ!

Compartilhe suas experiências com outras pessoas que acessam nosso site. Envie sua participação. Pode ser uma experiência pessoal, um testemunho, algo que você escreveu sobre algum assunto, enfim, aquilo que você gostaria de ver compartilhado com outros.

Para você participar é só clicar aqui e enviar a sua contribuição!

Antes do Púlpito (25/Julho/2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

“A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o Senhor...” (Jr 2.1,2).

Quando uma congregação senta para ouvir um pregador no púlpito não imagina o que já aconteceu antes daquele momento. Basta recordar a história do profeta Jeremias para saber que muitas coisas acontecem antes do púlpito. O púlpito é a parte romântica do ministério pastoral.
O que vem antes do púlpito são os espinhos desse ministério. Jeremias fez tudo o que pode para não ter um púlpito. Ele disse: “Eis que não sei falar; porque não passo de uma criança” (1.6). Mas Deus lhe disse em resposta: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constituí profeta entre as nações” (v. 5). “Não temas diante deles; porque eu sou contigo...” (v. 8). “Eis que ponho na tua boca as minhas palavras” (v. 9).
O pregador que usa o seu púlpito com responsabilidade sabe que existem fatos que lhe dão autoridade na pregação. Vamos citar alguns desses fatos, para que os pregadores que têm um púlpito façam uma autocrítica do seu ministério.

1. O primeiro fato é que antes do púlpito há um chamado. Não é o púlpito que faz o pregador. É o pregador que dignifica o púlpito. O pregador não acontece por acaso. Deus chama o pregador para ser sua boca; e Deus fala por intermédio dele. Deus chama quem Ele quer e como Ele quer para ser o seu pregador. O profeta Amós disse: “Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o SENHOR me tirou de após o gado e me disse: Vai e profetiza (prega) ao meu povo Israel” (Amós 7.14,15).
Deus não está à procura de grandes oradores. Os grandes oradores não têm púlpito. Eles querem mesmo é uma tribuna. Deus precisa de homens de púlpito e não de homens de tribuna.
O púlpito é algo que está relacionado diretamente com a Palavra de Deus (Ne 8.4,5). Infelizmente, por total ignorância da história da pregação e da teologia do púlpito, as Igrejas estão trocando o seu púlpito pelo palco onde tudo pode acontecer. Acontece desde a pregação da Palavra até exibições de música, teatro, coreografia e balcão de venda de CDs. Somente entende o púlpito quem recebeu o chamado para o ministério da pregação.

2. O segundo fato é que antes do púlpito há um preparo. A Igreja não pode ceder o seu púlpito para qualquer pregador. Ela precisa saber quem é o homem que irá ministrar a Palavra no seu púlpito.
Paulo diz: “quem deseja o “episcopado” – o homem que usará o púlpito – não pode ser neófito. Isto é, não pode ser pessoa imatura.
O preparo antes do púlpito envolve conhecimento das doutrinas cristãs, conhecimento das necessidades humanas, conhecimento da história da Igreja e conhecimento das técnicas da pregação. Não basta para o pregador um curso de bacharel em teologia, de mestrado, de doutorado. Esse preparo antes do púlpito vai muito além. Trata-se de um conhecimento de Deus, o Deus da vida pessoal do pregador. Por isso Paulo teve a ousadia de fazer este desafio: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1).

3. O terceiro fato é que antes do púlpito há uma luta. Pregador que usa o púlpito antes de ter enfrentado uma luta espiritual não pode ser considerado pregador. Ele pode ser um excelente orador; conhecedor de todas as regras da oratória, mas não é pregador. O pregador tem KERIGMA (mensagem) e não discurso.

Satanás não gasta o seu tempo com discurso. Ele é capaz de convocar as suas hostes demoníacas para impedir o KERIGMA que está para ser pronunciado no púlpito. Essa luta de Satanás com o pregador acontece antes do púlpito. Identificamos essa batalha quando o pregador responsável vê aproximar-se o dia de sua pregação e o KERIGMA parece não chegar ao seu coração. Um bom exemplo dessa luta antes do púlpito é a história de Moisés no monte Horebe.
Deus fala a Moisés: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito”. Então disse Moisés: “Quem sou eu para ir a Faraó...?” (Ex 5.10,11). “Eis que quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes dirás?” “Disse Deus a Moisés: Eu Sou o que Sou. Eu sou me enviou a vós outros” (Ex 3.13,14).
Essa luta de Moisés para aceitar a sua Missão de libertador, corresponde à luta do pregador com Satanás antes do púlpito.

4. O quarto fato é que antes do púlpito há uma paixão. O púlpito é o lugar dos apaixonados pelas almas perdidas. Paulo declarou enfaticamente: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16). Antes do púlpito o pregador é como um garimpeiro que busca pedras preciosas nas páginas das Sagradas Escrituras para enriquecer as pobres almas que andam, sem destino, pelos caminhos da vida.
A pregação do púlpito é o desabrochar de um coração cheio de amor pelas multidões aflitas e exaustas, como ovelha que não tem pastor. Púlpito não é lugar de políticos. Eles têm os seus palanques eleitorais. Também não é lugar de “astros” . Eles têm o seu palco e seu “fã-clube” para aplaudi-los.
Púlpito é para pessoas que amam a Deus de todo o coração, de toda a alma, de toda a força e de todo o seu entendimento; amam o seu próximo como a si mesmo. Paixão exige renúncia, sacrifício e ação; e púlpito sem paixão é púlpito sem vida. Wesley dizia: “A minha paróquia é o mundo”. Knox clamava: “Senhor, dá-me a Escócia ou eu morro” .
Moisés pediu: “Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste”. Então disse o Senhor a Moisés: “Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim” (Ex 32.32,33).
O púlpito foi a paixão de Henry Martins, missionário na Índia, que clamava: “que eu me consuma por Deus e pelas almas”.

É hora de restaurar o púlpito nos cultos de nossas Igrejas. No reinado de Acabe os altares do Senhor foram destruídos e nos seus lugares foram construídos os altares de Baal e os postes ídolos. A palavra de Deus estava totalmente esquecida em Israel, até que surgiu o profeta Elias e “restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas” (1Rs 18.30). Então Deus se manifestou nesse altar reconstruído, “o que, vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus” (1Rs 18.39).
Assim como Elias restaurou o altar do Senhor; precisamos ter coragem e restaurar o púlpito de Deus em nossas Igrejas. Eliseu, acompanhando os passos de Elias até o seu arrebatamento, tomou o manto que Elias lhe deixara cair, feriu as águas do Jordão e disse: “Onde está o Deus de Elias?”.
Sabendo que os púlpitos do Senhor estão em ruínas, podemos mudar a tônica da pergunta de Eliseu e clamar: Onde estão os Elias de Deus que se disponham a enfrentar os Acabes e os profetas de Baal, restaurando o nosso púlpito, tão banalizado pela mídia do evangelicalismo?

Rev. João Arantes Costa
Igreja Cristã Evangélica - S.J.Campos - SP


Estou Cansado (22/Julho/2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

Autor: Ricardo Gondim

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista.

Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa.

Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras.

Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento "científico" da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com

gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual.

Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas "caiam sob o poder de Deus" para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar "piercing", fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.


Deus está no controle, ainda que não percebamos (11/Jul/2004):

Enviado pelo Ir. Fernando Siqueira

Habacuque 1: 1-4

Introdução:

São muitos os problemas relacionados com a vida e a fé cristã, e nas escrituras não encontramos nenhum texto que diz que o cristão seria isento dos problemas, ao contrário Jesus disse: “neste mundo vocês terão aflições; mas tenham bom ânimo” (Jo 16;33).

Satanás, que é o “inimigo das nossas almas” está ativo em nosso planeta, e sua função principal com relação aos crentes é desanimá-los, fazê-los enfraquecer na fé, enfraquecê-los na confiança,e ele tenta-nos usando problemas e dificuldades dessa vida para que desviemos os olhos das promessas de Deus, para que nos esqueçamos que Deus é Soberano sobre nossas vidas e para que deixemos de testemunhar.

Em todas as épocas em toda a história, ele continua usando a mesma estratégia. Talvez você está desanimado com algo:

•  as coisas não têm saido como você planejou
•  seus negócios não estão indo como você gostaria que fosse
•  talvez o seu casamento não está indo como você gostaria que fosse
•  talvez a sua vida amorosa não está sendo como você sonhou
•  talvez até a sua igreja não está funcionando como você gostaria

E nessa hora Satanás já tem a oportunidade, já tem a abertura e vai espalhar o seu veneno em sua mente: “Deus não está se preocupando com você” , “Deus não se importa com a sua situação”, "Essa igreja não é boa", "procura outra" e assim por diante e o pior é que muitas vezes acreditamos nessas mentiras.

Dentro desse tema, nos encontramos agora no séc VII a.C. e a data aproximada é entre 640 e 610 a.C. Aqui encontramos esse profeta por nome Habacuque. Sua profecia foi escrita de uma forma diferente das demais, seu estilo não é como o dos outros profetas que escreviam: “Assim diz o Senhor” - sua profecia foi escrita inicialmente em forma de um diálogo e termina com um salmo. Ele está falando com Deus, e é essa conversa que ele registra para nós, e nos ensina que como ele nós também podemos ter um diálogo com Deus.

Tema: Inicialmente o profeta faz uma queixa para Deus. Vamos ver qual era e o que ela nos ensina:

Até quando clamarei e Tu não me ouvirás? (v.2)
Quem nunca fez essa pergunta a Deus? Essa era uma dúvida para o profeta, será que o Senhor estava surdo?

Essa pergunta nos ensina três lições!

•  Primeiro. “Quanto a Deus nos ouvir, aprendemos que.”

Deus nos ouve!

•  O simples fato de Habacuque falar com Deus nos dá a idéia que Deus ouve, também o salmista diz em ( Salmo 106: 1) “Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas.”

•  Jesus ensina a mesma coisa aos discípulos em (Mateus 6:6) “Tu porém quando orares entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

•  O apóstolo João também nós dá esta confiança quando afirma em sua carta ( 1 João 5:14-15) “E esta é a confiança que temos para com Ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, sabemos que Ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos do que obtemos aos pedidos que lhe temos feito.”

•  Habacuque tinha a certeza que Deus o ouvia e mais ainda o seu pedido era de acordo com a vontade de Deus, pois ele sabia que como diz em (Hebreus 12:6-7) ”Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus trata a todos como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?

Veja v. 3:

•  pois a destruição e a violência estão diante de mim
•  há contendas.
•  O litigio se suscita.
•  A lei se afrouxa
•  A justiça não se manifesta
•  O perverso cerca o justo
•  A justiça é torcida

Isso gerou conflito, ele servia a um Deus que ouvia sua súplica, em contrapartida ele estava pedindo e nada estava acontecendo, então ele exclama: “eu estou gritando e o Senhor não me ouve”, castiga este povo, corrige este povo.

É nessa hora que o inimigo entra em ação, tentando-o a perder a confiança em Deus, fazendo-o duvidar da soberania de Deus. Talvez você tenha orado ao Senhor, tem clamado ao Senhor mas nada está acontecendo, você já até pensou que Deus não está ouvindo ele se esqueceu de você, fique sabendo que você não é o único a pensar assim, pois até Habacuque pensou dessa forma, e é isso que nos desvia do alvo. Quero afirmar a você nessa noite que Deus é contigo, não permita que mentiras e enganos sem fundamento te enganem e o afaste do cuidado de Deus.

Deus é contigo!

•  Segundo. Quando Deus não nos ouvir aprendemos que.”

É possível Deus não ouvir.

•  Não foi o caso de habacuque, mas você já parou pra pensar que Deus pode não ouvir a sua oração?

•  Será que existe algo que possa impedir a sua comunhão com Deus? Sim! O pecado. Davi ao escrever o salmo 66:18 diz “Se eu no coração contemplava a vaidade (o pecado), O Senhor não me teria ouvido.”

•  Se você está guardando mágoa no seu coração, seja contra quem for, essa mágoa impede suas orações.
•  se Deus não ouve as nossas orações estamos perdidos
•  se Deus não nos ouve perdemos a comunhão com Ele.
•  Se Deus não nos ouve não somos atendidos em nossas necessidades.
•  Se Deus não nos ouve por causa de nossos pecados , alguém está vencendo e esse alguém é Satanás, o inimigo das nossas almas que tenta dominar a nossa carne, a nossa vida, o nosso pensamento,o nosso coração, enfim o nosso todo.

•  Mas Graças a Deus essa situação pode ser revertida pois a Bíblia afirma que: ( Romanos 5:20) “ mas onde abundou o pecado , superabundou a graça” , se você por um motivo ou outro acha que Deus não tem ouvido as suas orações, eu quero apontar um remédio pra você, a Palavra diz: “ Se confessarmos o nosso pecado Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados ( I Jo 1:9).

•  Terceiro. “ Quando Deus não atender aprendemos que:”

É possível Deus ouvir e não atender.

•  Isso fica bem claro no texto, o profeta clamava por justiça e ela não vinha. Porque Deus não atendia? Aquele homem tinha que aprender uma coisa “O tempo de Deus não é o nosso tempo”.

•  Com certeza Deus iria corrigir seu povo, porém no momento certo e usando a correção apropriada (isso está registrado nos próximos capítulos)

•  Também a Bíblia nos ensina que Deus não atende quando pedimos errado.

Como é isso, primeiro:

•  Sem fé ( Tiago 1:6) “Peça-a porém, com fé em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.”

•  Para gastarmos em nosso próprio deleite como diz ( Tiago 4:2) “Cobiçais e nada tendes; matais e invejais,e nada podeis obter, viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes porque não pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”

•  Deus não atende quando o nosso pedido é para nosso prejuizo ( Mat 7:9-11) “Ou qual dentre vós é o homem porventura o filho pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois mal sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”

•  Conclusão

•  O que aprendemos deste trecho:

•  Deus é soberano, Ele nunca perde o controle da situação, mesmo em momentos em que parece que estamos só, Ele está conosco.

•  As coisas vão acontecer no tempo de Deus e não no nosso, isso é motivo de muita ansiedade, nós queremos que as coisas aconteçam no nosso tempo.

•  Sempre podemos reatar a nossa comunhão com o Senhor através da oração.

•  Nós devemos confiar todos os nossos planos a Deus e descansar.

Que o Senhor abençoe a todos!!!

Fernando Siqueira


ADORAÇÃO - As origens de tantas distorções (Junho/2004):

Nesse pequeno artigo pretendo identificar nas diversas correntes filosóficas aquelas cujas ideologias têm influenciado negativamente a adoração cristã. Neste contexto, muitos crentes estão iludidos em seus cultos, por desconhecerem as verdadeiras origens de suas práticas.
Tal tema se justifica, pelo menos por dois motivos: 1º) O “fogo estranho” que os dois israelitas trouxeram perante o Senhor (Lv 10) consistia naquilo que era contrário aos mandamentos divinos quanto à adoração; 2º) No Novo Testamento, Paulo repreendeu os cristãos de Corinto porque eles não se ajuntavam “para melhor, e sim para pior” (1Co 11.17). Repreensões como estas mostrando a ira de Deus quanto a uma adoração distorcida são multiplicadas por toda a Bíblia. Razão pela qual deveríamos nos manter em permanente estado de alerta quanto a nossa adoração. Mencionarei apenas a influência de quatro correntes.

Influência do Existencialismo
O Existencialismo, como filosofia, é abrangente e complexo, mas pode-se afirmar que sua essência baseia-se na experimentação, em avaliar as coisas pela experiência acima da razão. Observe que nessa filosofia a razão1 é serva da experiência, portanto a inteligência, de uma certa maneira, fica em segundo plano.
Embora Heidegger e Schleiermacher sejam indicados como precursores do existencialismo na teologia, foi através do pentecostalismo que a filosofia existencialista alcançou seu auge no meio evangélico, em especial na sua infrutífera tentativa de reproduzir a experiência de pentecostes2.
A influência existencialista no meio cristão se faz presente através da demasiada ênfase aos sentimentos e emoções na adoração. Note que em muitos “cultos” a palavra de ordem é: “você precisa sentir algo...” Há reações como: “Ah! o culto foi fraco porque eu não senti nada”...
O fato problemático é que essa influência existencialista no culto traz imensos prejuízos porque põe a centralidade da adoração no adorador. O adorador, sem se aperceber, passa a ocupar o lugar central do culto, uma vez que ele precisa sentir, experienciar, e até mesmo materializar sua adoração para que possa continuar “crendo”. Nesta perspectiva, a liturgia atual é fortemente acusada (com razão) de ser um meio para se atingir emoções3.
Em outras palavras, está aqui a explicação porque a maioria das orações e cânticos, em algumas igrejas, é meio de auto-reconciliação, de auto-ajuda e auto-aceitação. O resultado final é a sensação de se ir para casa “descarregado” e se sentindo bem, contudo, infelizmente, sem se ter verdadeiramente adorado o Eterno. A segunda influência negativa sobre a adoração vem da...

Influência do Humanismo
O humanismo enxerga as questões da vida sempre numa perspectiva antropocêntrica, isto é: aquela em que homem ocupa o centro do universo. Boice, corretamente, afirmou que a nossa geração é centralizada no homem e, infelizmente, “a igreja, traiçoeiramente, tem se tornado egocêntrica”4. Tornando-se uma igreja “ensimesmada”. No meio batista, tal fato pode ser constatado no enfraquecimento progressivo de nossas convenções e órgãos denominacionais. Em suma, as igrejas estão se individualizando, cada uma numa direção. O trágico é que como Batistas estamos perdendo dia após dia a nossa identidade e o espírito de cooperação (denominacional) que sempre nos uniu...
A via pela qual o humanismo entra em nossas vidas é a delirante busca por entretenimento. Nesses tempos marcados pela tecnologia, a distração eletrônica e os mais diversos meios de entretenimento se tornaram a ordem do dia5. Apenas para ilustrar: o que se faz na hora do almoço? Pega-se o prato e corre-se para televisão...
Como filhos desta nossa geração, exigimos, às vezes, até inconscientemente, que cada momento de nossa vida, inclusive o nosso culto, venha satisfazer nossas necessidades de entretenimento. Neste contexto, o culto é transformado em um “programa” e o mais lamentável, neste caso, é que o desejo de se obter felicidade é muito maior do que o de se obter santidade. Se por um lado muitos estão sedentos por alegria, por outro, o comprometimento com Deus e a sua Palavra tornou-se secundário. A tragédia desta cosmovisão é que as pessoas passam a julgar o culto como agradável, não com base na mensagem bíblica, mas no nível de satisfação pessoal alcançado.
Neste contexto, a pregação torna-se uma homilética do consenso, na qual a boa mensagem não é a que confronta os pecados do povo, mas a que os faz se sentirem melhores. Contudo, o grande pecado da adoração humanista é o fato de querer usar a Deus para satisfazer os interesses pessoais, antes de querer atribuir-lhe a devida glória6.
Outro elemento de erro na adoração é a presença deísta. Vejamos:

Influência da Filosofia Deísta
De uma maneira simplista, pode-se identificar o deísmo como a filosofia do “criador remoto” que não interfere na criação de forma imediata (sem mediação), mas que a governa através de leis pré-estabelecidas7. Essa filosofia tem se revelado na história cristã de diferentes formas: gnosticismo8, teologia do processo9... Nos últimos dias, porém, ela tem ressurgido no cristianismo de duas maneiras. A primeira e a mais divulgada popularmente é a presunção de que, uma vez tendo “tomado posse das promessas divinas”, pode-se “reivindicar” os direitos junto a Deus, o autor das promessas.
Seus advogados afirmam que, uma vez cumpridas as leis espirituais (os requisitos), Deus passa a estar à mercê da pessoa para atendê-la em todas suas reivindicações. Assim, se acredita na ilusão de que as palavras têm o poder de mover a vontade de Deus, e o que “declaramos”, ou “profetizamos” sobre nós ou outros, certamente acontecerá. Portanto, idéias como “eu declaro”, “eu determino”, “eu profetizo”, “eu tomo posse da bênção” não têm suas origens na Bíblia, mas sim na filosofia deísta.
O segundo elemento de erro da filosofia deísta (presente no meio batista) vem através de alguns seminários teológicos, onde alguns dos mestres acreditam que Deus não se comunica com os salvos (nem mesmo através da Bíblia). Para estes pensadores o cristianismo é a apreensão humana da divindade. Ensinam que o cristianismo está “em pé de igualdade” com as demais religiões pagãs. Como conseqüência dessa idéia, por exemplo, defendem que é impossível conhecer a vontade de Deus. Mas, se por um lado essas pessoas crêem desta maneira, por outro, a Bíblia afirma categoricamente que podemos e devemos conhecer a perfeita vontade de Deus (Cl 4.12; Hb 13,21; 1Pe 4.2). Outro elemento de erro vem da...

Influência do Pragmatismo
Estamos vivendo uma época em que o mundo passou a avaliar tudo apenas pelo resultado. É a filosofia do pragmatismo. O pragmatismo é muito semelhante ao utilitarismo. É a crença de que os resultados e/ou a utilidade estabelecem o padrão para aquilo que é bom. Para um “pragmatista”, se uma técnica ou mesmo um método produz o resultado desejado, a utilização de tal recurso é válida. Nessa visão, se algo funciona ou dá resultados é porque é bom ou correto.
No que diz respeito à adoração, como em tantas outras áreas, a aplicação direta deste princípio pode ser desastrosa, pois, em função de se olhar apenas para o resultado, muitas vezes se fecha os olhos para os meios utilizados, ainda que sejam meios imorais.
Trazendo o pragmatismo para a adoração, o juiz supremo passa a ser o pastor ou um grupo de pessoas e não o Espírito Santo através das Escrituras. Além do mais, ainda que um estilo “funcione” em um determinado grupo, a decisão com base nos resultados, sem a aprovação bíblica, é nada mais que uma conformação ao presente século (Rm 12.2).

Conclusão
Devemos constantemente efetuar uma auto-avaliação em nossos cultos, verificando se unicamente Deus, o Eterno, realmente ocupa o lugar central da adoração.
O problema em si não são as filosofias humanas, mas o seu maligno uso para substituir as Escrituras Sagradas, naquilo que lhe$ convêm. Como crentes, em especial Batistas, não podemos ficar repetindo práticas “litúrgicas” dos outros sem a devida reflexão bíblica. Repetir sem refletir é coisa de papagaio...
Quanto mais estudo, quanto mais reflito sobre o atual quadro de apostasia em muitas igrejas, mais me convenço de que o verdadeiro cristianismo só pode ser vivenciado unicamente através da Palavra de Deus, a Bíblia. Ah! Que saudade do tempo em que éramos chamados de Bíblias, porque a Palavra de Deus era a nossa única regra de conduta e fé...

Pr Wilson Franklim - Pastor Assistente da PIB Vila da Penha, doutorando em Teologia

E-mail:
Wf6@ig.com.br


Quando eu não estava olhando (15/Abril/2004):

Enviado pelo Ir. Ricardo de Oliveira Pinto

QUANDO EU NÃO ESTAVA OLHANDO

Papai,

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você pegar o primeiro desenho que fiz e prendê-lo na geladeira, e, imediatamente, eu tive vontade de fazer outro para você.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você dando comida a um gato de rua, e eu aprendi que é legal tratar bem os animais.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você fazer meu bolo favorito para mim e eu aprendi que as coisas pequenas podem ser as mais especiais na nossa vida.

Quando você pensava que eu não estava olhando, ouvi você fazendo uma oração, e eu aprendi que existe um Deus com quem eu posso sempre falar e em Quem eu posso sempre confiar.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você fazendo comida e levando para uma amiga que estava doente, e eu aprendi que todos nós temos que ajudar e tomar conta uns dos outros.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você dando seu tempo e seu dinheiro para ajudar as pessoas mais necessitadas e eu aprendi que aqueles que têm alguma coisa devem ajudar quem nada tem.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu senti você me dando um beijo de boa noite e me senti amado e seguro.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você tomando conta da nossa casa e de todos nós, e eu aprendi que nós temos que cuidar com carinho daquilo que temos e das pessoas que gostamos.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi como você cumpria com todas as suas responsabilidades, mesmo quando não estava se sentindo bem, e eu aprendi que tinha que ser responsável quando eu crescesse.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi lágrimas nos seus olhos, e eu aprendi que, às vezes, acontecem coisas que nos machucam, mas que não tem nenhum problema a gente chorar.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi que você estava preocupado e eu quis fazer o melhor de mim para ser o que quisesse.

Quando você pensava que eu não estava olhando foi quando, eu aprendi a maior parte das lições de vida que eu precisava para ser uma pessoa boa e produtiva quando eu crescesse.

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu olhava para você e queria te dizer: Obrigado por todas as coisas que eu vi e aprendi quando você pensava que eu não estava olhando!


Não quero ser apóstolo (11/Mar2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos.

Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: "Você já é apóstolo?" O outro teria respondido: "Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semi-deus". Apóstolo agora está virando arroz de festa e meu ministério é tão especial que somente este título cabe a mim". Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um "arcanjo".

Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que não eu teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.

Admito que os apóstolos constam entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que os apóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Mas, resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos profetas, nem todos mestres ou operadores de milagres, como consta na epístola aos Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro.

Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete "apóstolo" ou "apostolado".

Usemos a Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã, das Edições Vida Nova:

"O uso bíblico do termo "apóstolo" é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em Português, é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão - a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este".

Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus, também receberam esse título. O número de apóstolos parecia fixo, porque fazia um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se referia a apenas doze tronos na era vindoura (Mateus 19.28; cf Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (Atos12.2). As exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado, com o passar do tempo, não podiam mais se cumprir: "É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição" (Atos 2.21-22).

Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de I Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros e não a novos apóstolos.

Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em I Coríntios 15.9, ele afirmou que foi testemunha da ressurreição (vira o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhecia que era um abortivo (nascido fora de tempo).

"Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus" (15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.

O que preocupa nos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Tem a ver com a nossa natureza que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que fez do sucesso uma filosofia ministerial. Há uma corrida frenética acontecendo nas igrejas de quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar enormes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.

Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação.

Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido desapercebida de Paulo, Pedro, Tiago ou Judas. Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos mega eventos, do culto espetáculo e da vã-glória da fama.

Não quero ser apóstolo, porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem estatus. Aliás, estou disposto, inclusive a abrir mão de ser chamado, pastor, se isso representar uma graduação e não uma vocação ao derviço.

Não desdenho as pessoas, sinto apenas um enorme pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos a ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais, aceitam os aplausos que vêm dos homens e se esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré.

Ele nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas.

Quando um jovem rico o saudou com um "Bom Mestre", rejeitou a interpelação:

"Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus" (Mc 10.17-18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos.
Jesus aproveitou o mal estar causado, para ensinar: "Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles."
Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20.25-28).

Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para termos ministérios bem sucedidos, mas para continuarmos o ministério de Jesus , amigo dos pecadores, compassivo com os pobres e identificado com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos graus das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel à todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.

Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter mega-igrejas, busquem ser achados despenseiros fiéis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, busquem manejar bem a palavra da verdade; aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fiéis e idôneos que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas, preguem a mensagem do Calvário.

Santo Agostinho afirmou: "O orgulho transformou anjos em demônios". Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: "Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele subsistindo em forma de Deus , não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (2.5-8).

Ricardo Gondim


A mesa do velho avô (11/Mar/2004):

Enviado pelo Ir. Ricardo de Oliveira Pinto

A Mesa do velho Avô

Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, nora, e o seu neto mais velho de quatro anos. As mãos do velho homem tremiam, e a vista era embaralhada, e o seu passo era hesitante. A família comeu junto à mesa. Mas as mãos trêmulas do avô ancião e sua visão falhando, tornou difícil o ato de comer. Ervilhas rolaram da colher dele sobre o chão. Quando ele pegou seu copo, o leite derramou na toalha da mesa. A bagunça irritou fortemente seu filho e nora:

" Nós temos que fazer algo sobre o Vovô, " disse o filho.

" Já tivemos bastante do seu leite derramado, ouvindo-o comer ruidosamente, e muita de sua comida no chão ".

Assim o marido e esposa prepararam uma mesa pequena no canto da sala. Lá Vovô comia sozinho enquanto o resto da família desfrutava do jantar. Desde que o Avô tinha quebrado um ou dois pratos, a comida dele foi servida em uma tigela de madeira. Quando a família olhava de relance na direção do Vovô, às vezes percebiam nele uma lágrima em seu olho por estar só. Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram advertências acentuadas quando ele derrubava um garfo ou derramava comida. O neto mais velho de quatro anos assistiu tudo em silêncio. Uma noite, antes da ceia, o pai notou que seu filho estava brincando no chão com sucatas de madeira. Ele perguntou docemente para a criança,

" O que você está fazendo? "

Da mesma maneira dócil , o menino respondeu:

"Oh, eu estou fabricando uma pequena tigela para Você e Mamãe comerem sua comida quando eu crescer."

O neto mais velho de quatro anos sorriu e voltou a trabalhar. As palavras do menino golpearam os pais que ficaram mudos. Então lágrimas começaram a fluir em seus rostos. Entretanto nenhuma palavra foi falada, ambos souberam o que devia ser feito.

Aquela noite o marido pegou a mão do Vovô e com suavidade o conduziu atrás da mesa familiar. Para o resto de seus dias de vida ele comeu sempre com a família. E por alguma razão, nem marido nem esposa pareciam se preocupar mais quando um garfo era derrubado, ou leite derramado, ou que a toalha da mesa tinha sujado. As crianças são notavelmente preceptivas. Os olhos delas sempre observam, suas orelhas sempre escutam, e suas as mentes sempre processam as mensagens que elas absorvem. Se elas nos vêem pacientemente providenciar uma atmosfera feliz em nossa casa, para nossos familiares, eles imitarão aquela atitude para o resto de suas vidas. O pai sábio percebe isso diariamente, que o alicerce está sendo construído para o futuro da criança. Sejamos sábios construtores de bons exemplos de comportamento de vida em nossas funções. Sorria.


Notícias do Paraguay (11/Mar/2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

Asuncion,março de 2004

Estimados irmãos

Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós ( Fil. 1:3 )

Louvamos ao Senhor por todos aqueles que tem estado sempre disponíveis para interceder pelo Reino de Deus . Deus tem sido muito bom para conosco, por nos ter dado a graça de estarmos no campo missionário .

Obrigado por ter apoiado o nosso ministério, orando e ofertando desta maneira contribuindo para que o trabalho missionário continue avançando nesta terra tão carente da graça de nosso salvador Jesus Cristo. Com toda sinceridade afirmamos , que a tarefa no campo missionário seria impossível se você não estivesse nos apoiando neste ministério de ganhar o mundo para Cristo..

O desafio de sempre é avançar. Nem sempre encontramos o caminho propicio , mas nem por isso vamos permitir que o desânimo nos assedie. .

No começo deste mês os PEPEs recomeçam as suas aulas , e vamos estar abrindo mais quatro unidades em cidades do interior do país,Já preparamos os novos Missionários Educadores que tem como objetivo principal ganhar as famílias das crianças para Cristo o trabalho tem crescido e se solidificado.

Nosso desafio maior é prover o material didático para as Missionários Educadores de cada igreja, e também o material como: lápis borracha,cola,tesoura apontador papel e outros materiais necessários para que as igrejas possam abrir seus PEPES,pois elas são muito pequenas e com poucos recursos. Damos graças a Deus , porque através deste trabalho , esta sendo possível não só alfabetizar mas sobre tudo evangelizar o que é a nossa meta principal.

A propósito queremos compartilhar duas experiências que muito nos marcaram:

1 °- Em uma reunião em uma das Igrejas onde funciona o PEPE,uma senhora se aproximou e disse:“ Eu quero agradecer porque meu filho este ano assistiu o PEPE e eu conheci ao Senhor ,domingo passado foi meu batismo ,“ Oh gloria existe algo melhor do isto??? “

2º- Ricardo com sete anos idade nunca foi aceito em nenhuma escola por ter leucemia pensavam que essa enfermidade fosse contagiante.Se sentia diferente,rejeitado . Sua mãe contou sua historia e o o recebemps como aluno e durante todo o ano lhe teve muita atenção e sobre tudo amor, ali teve sua auto estima renovada se sentiu amado e valorizado. Sempre ouviu as historias com muita atenção, gostava especialmente daquelas que falavam do amor de Deus para com ele.

Há seis semanas Ricardito,se sentiu mal,e foi internado as pressas,o doutor alertou a mãe:

-- “Ricardito não passará desta noite”

A mãe se desespera e se agarra a Ricardito que a olha com seus grandes olhos negros e diz

: -“Mamãe não chore,Jesus está cuidando de mim,pois está no meu coração e me ama muito”

Hoje a família de Ricardito, está na igreja ,pois ali encontraram o senhor que seca dos nossos olhos toda lágrima .

Muitos outros” Ricarditos” chegam ao PEPE com diferentes desafios, mas prontos para entregarem suas vidas ao Senhor.

É impossível deixar de levantar os nossos olhos e vermos as grandes necessidades dos campos. Como ouvirão ... é a grande pergunta . Vamos fazer neste ano um esforço como nunca para que pessoas como Ricardito possam ouvir falar de Jesus.

Rogamos suas orações para que o Senhor possa estar sempre renovando as nossas forças.

Contamos com suas orações pois são elas q/ nos mantem em pé,e nos ajudam a renovar as forças a cada dia

Um abraço dos seus missionários” Paraguayos”

Pr. Carlos e Lídia Klava da Silva

Missionários no Paraguay

prsilva@highway.com.py


Deus é a solução de todos os problemas. (10/Mar/2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

Se você colocar um falcão em um cercado com um metro quadrado e inteiramente aberto por cima, o pássaro, apesar de sua habilidade para o vôo, será um prisioneiro. A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado; se for colocado em um piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar. Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto; por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente, de tanto atirar-se contra o fundo do vidro.

Há pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem perceber que a saída está logo acima.

Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!

Deus é a solução de todos os problemas.

Deus nunca deixa de responder àqueles que vão até Ele.

Deus responde às orações (24/Fev/2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

Estávamos sentados à mesa para o almoço, quando o telefone tocou, ao atender escutei uma voz conhecida, e pelo tom deixava bem claro que aquela pessoa estava com um problema bem sério.

Era a irmã Matha. E com a voz bem pausada ela me disse:- “pastor o meu pai foi levando de emergência para o hospital, ele apresentou alguns coágulos no cérebro e precisa ser operado urgentemente. Nós não temos um só guarani, e precisamos depositar um milhão de guaranis, (equivalente a 550,00 reais) sem esse depósito o hospital não pode fazer nada, por favor, o irmão pode nos ajudar de alguma maneira?”

Na verdade nós não dispúnhamos de todo aquele dinheiro para entregar para aquela irmã. Apesar de estar sofrendo com ela, e conhecendo a situação econômica da família, e também consciente das nossas limitações, sentíamos que devíamos fazer alguma coisa por aquela irmã. Mas como? Houve uma pausa no nosso dialogo, porque naquele momento não sabia o que dizer a ela. Enquanto a irmã Martha aguardava uma palavra, me veio o seguinte pensamento, se ela sentiu que deveria nos telefonar, é porque Deus colocou esse desejo no seu coração, e se isso vem de Deus, Ele vai nos mostrar a solução. Pedi que nos desse dez minutos para que pudéssemos orar, e que voltasse a chamar vencido esse prazo. Impressionante como Deus atuou. A minha esposa e eu oramos pedindo de Deus orientação como devíamos proceder nesse caso. Concluído o momento de oração, estávamos conversando, quando o telefone toca novamente. Pensei comigo - Martha não esperou completar o tempo. Ao atender, era uma voz masculina que se identifica como membro de uma Igreja Batista em Irunha uma cidade no interior do Paraguay. Esse irmão nos disse “estava no banco fazendo um deposito e senti no meu coração que devo mandar uma oferta para os irmãos usarem no seu trabalho, por exemplo, ajudando alguém que estiver tendo uma grande necessidade, se tiverem uma conta bancaria me passem o número que vou fazer o deposito de um milhão de guaranies agora mesmo”. Ao ouvir isso não sabíamos se ríamos ou chorávamos, tamanha era a alegria que envadiu os nossos corações. Quando Martha nos chamou novamente, nós já podíamos dizer que Deus havia enviado o dinheiro, que ela estava necessitando. Essa experiência, nos marcou muito, e nos fez ver como Deus é fiel. Ele não falha, a sua atuação se faz sentir na hora exata . Naquele momento pude sentir o quanto é real as palavras do Salmo 72:12 “Porque ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido.”

Pr.Carlos Alberto e Lídia Klava - Missionários no Paraguay

24/Fev/04


Levitas, apóstolos e outros modismos (03/Fev/2004):

Enviado pelo Pr. Marcelo Narcizo

SOBRE LEVITAS, APÓSTOLOS E OUTROS MODISMOS:

DESABAFO DE UM PROFESSOR DE TEOLOGIA

Carlos Eduardo Calvani

Sou um professor de Teologia em crise. Não com minha fé ou com minhas convicções, mas com a dificuldade que eu e outros colegas enfrentamos nos últimos anos diante dos novos seminaristas enviados para as faculdades de teologia evangélica. Tenho trabalhado como Professor em Seminários Evangélicos presbiterianos, batistas, da Assembléia de Deus e interdenominacionais desde 1991 e, tristemente, observo que nunca houve safras tão fracas de vocacionados como nos últimos três anos.

No início de meu ministério docente, recordo-me que os alunos chegavam aos seminários bastante preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla, com conhecimentos mínimos de história do cristianismo e com uma sede intelectual muito grande por penetrar no fascinante mundo da teologia cristã. Ultimamente, porém, aqueles que se matriculam em Seminários refletem a pobreza e mediocridade teológica que tomaram conta de nossas igrejas evangélicas.

Sempre pergunto aos calouros a respeito de suas convicções em relação ao chamado e à vocação. Pois outro dia, um calouro saiu-se com a brilhante resposta: "não passei em nenhum vestibular e comecei a sentir que Deus impedirá meu acesso à universidade a fim de que eu me dedicasse ao ministério". Trata-se do mais típico caso de "certeza da vocação" adquirida na ignorância.

E, invariavelmente, esses são os alunos que mais transpiram preguiça intelectual.

A grande maioria dos novos vocacionados chega aos Seminários influenciada pelos modismos que grassam no mundo evangélico. Alguns se autodenominam "levitas". Outros, dizem que estão ali porque são vocacionados a serem "apóstolos". Ultimamente qualquer pessoa que canta ou toca algum instrumento na igreja, se auto-denomina "levita". Tento fazê-los compreender que os levitas, na antiga aliança, não apenas cantavam e tocavam instrumentos no Templo, como também cuidavam da higiene e limpeza do altar dos sacrifícios (afinal, muito sangue era derramado várias vezes por dia), além de constituírem até mesmo uma espécie de "força policial" para manter a ordem nas celebrações. Porém, hoje em dia, para os "novos levitas" basta saber tocar três acordes e fazer algumas coreografias aeróbicas durante o louvor para se sentirem com autoridade até mesmo para mudar a ordem dos cultos.

Outros há, que se auto-intitulam "apóstolos". Dentro de alguns dias teremos também "anjos", "arcanjos", "querubins" e "serafins". No dia em que inventarem o ministério de "semi-deus" já não precisaremos mais sequer da Bíblia.

Nunca pensei que fosse escrever isso, pois as pessoas que me conhecem geralmente me chamam de "progressista". Entretanto, ultimamente, ando é muito conservador. Na verdade, "saudosista" ou "nostálgico" seriam expressões melhores. Tenho saudades de um tempo em que havia um encadeamento lógico nos cultos evangélicos, em que os cânticos e hinos estavam distribuídos equilibradamente na ordem do culto.

Atualmente os chamados "momentos de louvor" mais se assemelham a show ensurdecedores ou de um sentimentalismo meloso.

Pior: sobrepujam em tempo e importância a centralidade da Palavra e da Ceia nas Igrejas Protestantes. Muitas pessoas vão à Igreja muito mais por causa do "louvor" do que para ouvir a Palavra que regenera, orienta e exige de nós obediência. Dias atrás, na semana da Páscoa comentei com um grupo de alunos a respeito da liturgia das "sete palavras da cruz" que seria celebrada em minha Igreja na sexta feira da paixão. Alguns manifestaram desejo de participar. Eu os avisei então que se tratava de uma liturgia que dura, em média, uma hora e meia, durante a qual não é cantado nenhum hino (pelo menos na tradição de minha Igreja - Anglicana), mas onde lemos as Escrituras, oramos e meditamos nas sete palavras pronunciadas por Cristo durante a crucificação. Ao saberem disso, um deles disse: "se não houver música, não há culto".

Creio que, em parte, isso é reflexo da cultura pop, da influência da "Geração MTV", incapaz de perceber que Deus pode ser encontrado também na contemplação, meditação e no silêncio. Percebo também que alguns colegas pastores de outras igrejas freqüentemente manifestam a sensação de sentirem-se tolhidos e pressionados pelos diversos grupos de louvor. O mercado gospel cresceu muito em nosso país e, além de enriquecer os "artistas" e insuflar seus egos, passou a determinar até mesmo a "identidade" das igrejas evangélicas. Houve tempo em que um presbiteriano ou um batista sabiam dar razão de suas crenças.

Atualmente, tudo parece estar se diluindo numa massa disforme. Trata-se da "xuxização" ("todo mundo batendo palma agora... todo mundo tá feliz? Tá feliz!") do mundo evangélico, liderada pelos "levitas" que aprisionam ideologicamente os ministros da Palavra. O apóstolo Paulo dizia que a Palavra não está aprisionada. Mas, em nossos dias, os ministros da Palavra, estão - cativos da cultura gospel.

Tenho a impressão de que isso tudo é, em parte, reflexo de um antigo problema: o relacionamento do mundo evangélico com a cultura chamada "secular". Amedrontados com as muitas opções que o "mundo" oferece, os pais preferem ter os filhos constantemente sob a mira dos olhos aos domingos, ainda que isso implique em modificar a identidade das Igrejas. E os pastores, reféns que são dos dízimos de onde retiram seus salários, rendem-se às conveniências, no estilo dos sacerdotes do Antigo Testamento.

Um aluno disse-me que, no dia em que os evangélicos tomarem o poder no Brasil acabarão com o carnaval, as "folias de rei", os cinemas, bares, danceterias etc. Assusta-me o fato de que o desenvolvimento dessa sub-cultura "gospel" torne o mundo evangélico tão guetizado que, se um dia, realmente os evangélicos tomarem o poder na sociedade, venham a desenvolver uma espécie de "Talibã evangélico". Tal como as estátuas do Buda no Afeganistão, o "Cristo Redentor" estará com os dias contados.

Esses jovens que passam o dia ouvindo rádios gospel e lendo textos de duvidosa qualidade teológica, de repente vêm nos Seminários uma grande oportunidade de ascensão profissional e buscam em massa os seminários. Nunca houve tanta afluência de jovens nos seminários como nos últimos anos.

Em um seminário em que trabalhei (de outra denominação), os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários como bacharéis em teologia, aptos para o exercício do ministério.

A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores?

Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: enviá-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: "Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros".

De fato, percebi que alguns realmente se mostravam decepcionados ao saberem que teriam que começar seu ministério em um lugar pequeno, numa comunidade pobre, fazendo cultos nos lares, cantando às vezes "à capella" e sem o apoio dos amplificadores e mesas-de-som. Na maioria dos Seminários hoje, os alunos sabem o nome de todas as bandas gospel, mas não sabem quem foi Wesley, Lutero ou Calvino.

Talvez até já tenham ouvido falar desses nomes, mas são para eles, como que personagens de um passado sem-importância e sobre o qual não vale a pena ler ou estudar.

Talvez por isso eu e outros colegas professores nos sintamos hoje em dia como que "falando para as paredes". Nem dá gosto mais preparar uma aula decente, pois na maioria das vezes temos sempre que "voltar aos rudimentos da fé" e dar aos vocacionados o leite que não recebem nas Igrejas. Várias vezes me vi tendo que mudar o rumo das aulas preparadas para falar de assuntos que antes discutíamos nas Escolas Dominicais. Não sei se isso acontece em todos os Seminários , mas em muitos lugares, o conteúdo e a profundidade dos temas discutidos pouco difere das aulas que ministrávamos na Escola Dominical para neófitos.

Sei que muitos que lerem esse desabafo, não concordarão em nada com o que eu disse. Mas não é a esses que me dirijo, e sim aos saudosistas como eu, nostálgicos de um tempo em que o cristianismo evangélico no Brasil era realmente referencial de uma religiosidade saudável, equilibrada e madura e em que a Palavra lida e proclamada valia muito mais que o último CD da moda.

De Londrina e Coordenador do Centro de Estudos Anglicanos (CEA)


Voltar ao início